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Jesus e a Mulher AdĂșltera

por Pr. Dr. GervĂĄsio Melquiades Gomes

JoĂŁo 8:1-11

Este encontro entre Jesus e a mulher adĂșltera foi marcado por aqueles que tinham o desejo de fazer  o mal. Mas o Senhor transformou tamanha armadilha (para Ele e para a mulher) em manifestação de bondade. Ao lermos essa histĂłria aprendemos que, enquanto algumas pessoas estĂŁo usando a Palavra de Deus para mostrar-se melhor que outras, Jesus nos ensina que o Evangelho nĂŁo Ă© para os soberbos, mas para os humildes quere conhecem que precisam do Senhor.

Aqueles escribas e fariseus, na realidade, nĂŁo se importavam com a mulher apanhada em adultĂ©rio, isso para eles era uma situação normal do dia a dia, porĂ©m, era importante encontrar motivos para condenar Jesus, eles pouco se importavam em apedrejar a mulher adĂșltera, no fundo, eles queriam apedrejar Jesus!

Esses homens religiosos irrompem na audiĂȘncia de Jesus, ou seja, aparecem diante d’Ele com uma mulher pega em flagrante adultĂ©rio, colocam-na no meio de todos e se apressam a declarar: “MoisĂ©s, na Lei, nos mandou apedrejar mulheres como essa. Tu, pois, que dizes?” (JoĂŁo 8:5).

Tal declaração parece formalmente impecĂĄvel, porque cita a Lei. A Lei, de fato, previa a pena de morte para ambos os adĂșlteros (homem e mulher) a pena era uma sĂł, apedrejamento. Para os doutores da lei, Jesus deveria escolher entre cumprir a justiça e dar uma sentença de morte, ou violar a lei. A cena realmente Ă© profundamente dramĂĄtica. A vida dessa mulher depende exclusivamente da decisĂŁo de Jesus.

Vejam bem a armadilha: é altamente significativa que apenas a mulher tenha sido capturada e levada diante de Jesus, enquanto o homem que cometeu adultério, de acordo com a Lei é tão culpado quanto ela, não é nem imputado nem levado a julgamento!

A exposição da mulher Ă© humilhante e cheia de injustiça. Como jĂĄ falei, ela nĂŁo cometeu o pecado sozinha, mas, por ser a parte mais frĂĄgil foi pega e acusada, embora o castigo previsto na Lei fosse tanto para o homem quanto para a mulher. Diante das provas e evidĂȘncias que eram contrĂĄrias a ela, Jesus, sem dizer uma Ășnica palavra (JoĂŁo 8:7a), realiza algo maravilhoso. Ele se inclina, Ele se curva, Ele desce atĂ© o chĂŁo (JoĂŁo 8:6b), em absoluto silĂȘncio, onde aquela mulher havia sido lançada e coloca-se lado a lado com ela, enquanto todos apontavam seu pecado. Sem qualquer discurso, Jesus ensina que hĂĄ outros modos de lidar com o pecado de alguĂ©m que nĂŁo seja a acusação, a exigĂȘncia de reparação ou atĂ© mesmo a condenação.

No entanto, os acusadores insistem em interrogĂĄ-lo, depois daquele longo e desconfortĂĄvel silĂȘncio, entĂŁo, diante das autoridades religiosas presentes, Jesus pronuncia uma de suas frases mais conhecidas, Ele se levanta e nĂŁo responde diretamente Ă  questĂŁo que lhe foi feita, mas faz uma afirmação que contĂ©m em si mesma uma pergunta reflexiva: “Quem de vocĂȘs nĂŁo tiver pecado, atire nela a primeira pedra” (JoĂŁo 8:7b). Depois, inclina-se de novo e volta a escrever no chĂŁo.

Com essa resposta, Cristo faz com que todos, do mais velho ao mais novo, desçam ao nĂ­vel da mulher pecadora (JoĂŁo 8:9), Ele os iguala. Romanos 3:23afirma que todos somos pecadores e, por isso, carecemos da glĂłria de Deus. Todos necessitamos da misericĂłrdia – os que pecam  muito  ou  os que pecam pouco,  seja de  manhĂŁ ou  seja Ă   noite, Ă s  vistas  de todos  ou  escondido na  mente – todos precisamos desesperadamente do perdĂŁo de Deus para sermos restaurados e completamente transformados.

Assim, as palavra de Jesus, se tornam neste momento incisivas em todos os presentes e nĂŁo apenas nos escribas e fariseus. Esta Ă© uma daquelas perguntas que nos agitam e nos fazem ver em profundidade a nĂłs mesmos, essas palavras naquele momento impediram que aqueles homens usassem de violĂȘncia em nome da Lei. Isso nos ensina que somente Jesus poderia condenar aquela mulher.

Os Fariseus e os Escribas tinham o desejo de destruir Jesus e estavam usando a mulher para tentar fazĂȘ-lo tropeçar. Como era comum entre os falsos mestres, eles usaram a lei de MoisĂ©s para afrontar e tirarem proveito de uma situação. Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusar Jesus. As pedras na verdade seriam para a mulher, mas os maiores ferimentos eles queriam causar em Jesus.

Essa passagem tambĂ©m nos ensina que Jesus foi enviado por Deus “nĂŁo para condenar o mundo, mas para salvar o mundo”, aqui tambĂ©m, Jesus age como tinha anunciado no inĂ­cio do Seu ministĂ©rio: “Eu nĂŁo vim chamar os justos, mas os pecadores”.

Por isso Jesus olhou para o mais intimo daqueles homens e disse: “Se algum de vocĂȘs estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”(JoĂŁo 8:7b). Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. SerĂĄ que era esta a atitude que Jesus esperava deles?

Infelizmente amados esta, ainda hoje, Ă© a atitude de muitas pessoas. Fiquem atentos, pois estamos diariamente sendo observados pelos olhos dos que nos cercam. Investigados por muitos que aguardam ansiosamente um erro da nossa parte para que sejamos acusados e sem direito a defesa, condenados por pessoas hipĂłcritas, ainda digo, nĂŁo sĂŁo pessoas de fora, mas sĂŁo de dentro da nossa prĂłpria casa, sĂŁo pessoas que nĂŁo reconhecem seus pecados, mas fazem de tudo para se aproximar de vocĂȘ a fim de lhe crucificar, pois da mesma forma fizeram com Jesus.

Conforme todos iam saindo, a mulher tambĂ©m poderia ter ido embora. Mas ela ficou diante de Jesus. Em um encontro que era para ser sua condenação ela recebe libertação. Quando Jesus percebe isso, pĂ”e-se de pĂ© diante dela e pergunta: “Mulher, onde estĂŁo aqueles teus acusadores? NinguĂ©m te condenou?” (JoĂŁo8:10). Ao  responder “nĂŁo  sei Senhor” (JoĂŁo 8:11a).

Por fim, Jesus conclui esse encontro com uma afirmação extraordinĂĄria: “Eu tambĂ©m nĂŁo a condeno. Pode ir, e nĂŁo peques mais”(JoĂŁo 8:11). A reação de Jesus, que Ă© a Justiça em pessoa, Ă© impressionante. Em nenhum momento saem de sua boca palavras de condenação, mas de perdĂŁo e misericĂłrdia. Aquela mulher nos ensina uma das maiores vitĂłrias concedidas pela salvação: “nĂŁo existe condenação para aqueles que estĂŁo em Cristo” (Romanos 5:1). Com certeza naquele momento, ela aprendeu que o Evangelho, nĂŁo existe para nos condenar, mas para nos livrar de toda condenação. 2Âș CorĂ­ntios 5:18-19E tudo isso provĂ©m de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministĂ©rio da reconciliação, isto Ă©, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, nĂŁo lhes imputando os seus pecados, e pĂŽs em nĂłs a palavra da reconciliação. Jesus instituiu o ministĂ©rio da reconciliação para que ninguĂ©m se perdesse, mas ao contrĂĄrio, para que todos nĂłs possamos encontrar o perdĂŁo que necessitamos, por maiores que tenham sido as nossas faltas. Que Deus nos abençoe!

Pr. Dr. GervĂĄsio Melquiades Gomes

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