Pr. Dr. Gervásio Melquiades Gomes
Nos últimos anos, a estrutura que até pouco tempo atrás foi considerada uma família “normal”, constituída de pai, mãe e filhos, tem sido vista cada vez mais como uma dentre várias opções, a ponto de não podermos mais afirmar ser a única forma de organização de relacionamentos. A visão judaico-cristã de casamento e família, tem suas raízes na Palavra de Deus. Podemos dizer hoje, em face dos valores bíblicos que casamento e família são instituições sitiadas no mundo atual e que no tocante a estas questões a humanidade se encontra em grande crise.
Se Deus instituiu o casamento e a família, conforme nos ensina a Bíblia, entendemos também, que há um ser maligno chamado satanás que guerreia contra os propósitos divinos neste mundo. Isto nos mostra que estamos envolvidos neste conflito espiritual, no qual casamento e família, são a meu ver, as áreas mais atacadas por este ser maligno, portanto, a crise cultural do casamento e da família é sintomática de uma crise espiritual e a solução para esta crise não é apenas cultural, mas também espiritual.
ENXERGANDO O CASAMENTO COMO VONTADE SOBERANA DE DEUS
Deus criou toda a humanidade com a capacidade de prosperar e aproveitar a vida, de ser feliz. A perspectiva do casamento entre homem e mulher é de uma vida feliz juntos e isso nos motiva a entrar em um relacionamento matrimonial que prometer amar e cuidar um do outro, conforme falou Jesus “até que a morte nos separe”
Como cristão, para que um casamento tenha sucesso e seja verdadeiramente uma união feliz, é bom e correto, procurar na Bíblia Sagrada alguns fatos e diretrizes vitais que nos ajudarão em nosso caminho.
CASAMENTO, É UM RELACIONAMENTO FELIZ E GRATIFICANTE DA VONTADE SOBERANA DE DEUS PARA O CASAL
É muito claro desde o início, que Deus pretendia que a união matrimonial fosse abençoada, gratificante e feliz. Primeiro, Ele criou o homem à sua própria imagem e semelhança: capaz de amar, comunicar e criar, e colocou-o em um belo jardim onde todos os desejos do coração humano poderiam ser encontrados. Mas o incrível trabalho da criação de Deus não foi completo até o momento em que Ele fez uma mulher. “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.” Gênesis 2:18. Uma cooperadora, uma companheira, sua metade, seu igual, alguém para compartilhar seus pensamentos mais profundos e retornar seu amor! Quando Deus levou a mulher a Adão, sua alegria foi completa conforme ele declarou, “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne.” Gênesis 2:23.
Após esta declaração, lemos, “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.” Gênesis 2:24. O próprio Jesus repete este versículo em Mateus 19:5 e acrescenta, “Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” Mateus 19:6. Vamos analisar o sentido de serem uma só carne.
Observe que o “tornar-se uma só carne” é derivado do “deixar os pais” e “unir-se”. É uma sequencia de muita responsabilidade. É a vontade de Deus para a vida dos casais. Nesse sentido, essa expressão não mostra apenas o ato sexual que agora o casal pode desfrutar totalmente debaixo da aprovação de Deus, mas muito mais.
UMA SÓ CARNE: Significa que antes eram DOIS, mais agora são UM casal, estão juntos, unidos. Ser uma só carne, então, envolve todas as expressões que derivam do exercício do amor e da vontade de Deus dentro do casamento. Por exemplo: Ser uma só carne é priorizar o(a) parceiro(a), é cuidar dele(a), é amá-lo(a), é respeitá-lo(a), é conhecer suas necessidades, é auxiliá-lo(a), é ser fiel, é ser solidário, é desfrutar a vida sexual, etc. É cada um saber qual o seu papel no casamento e viver conforme Deus planejou.
PAPEL DO HOMEM NO CASAMENTO
O papel do homem é o papel de cabeça da esposa. Muitos homens acreditam que esse papel é uma imposição a ser tomada a qualquer custo, mas a Bíblia é clara que antes, Cristo precisa ser o cabeça do marido. Portanto, se o marido deseja exercer seu papel de cabeça, precisa se espelhar em Cristo, que serviu e se entregou por sua noiva, a Igreja. Veja por exemplo, o que diz 1º Coríntios 11:3 – Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. O homem(marido) deve ser o cabeça do casamento, no sentido de que ele é o exemplo. Cristo é o cabeça da Igreja porque Ele é o exemplo a ser seguido.
Ainda com relação ao papel do homem, ele deve assumir a responsabilidade final pelo casal, amar, cuidar, tratar com respeito, prover alimentos, roupas e outras necessidade, exercer liderança e proteção à sua companheira. Ser o principal responsável pela união conjugal.
Quando falamos em “prover alimentos, roupas ou outras necessidades”, não estamos falando que o marido deve, necessariamente, ganhar mais que a esposa, em termos de salários. Ele deve ser, alguém que se empenha em buscar emprego, em ser um bom profissional, em ser um bom patrão, um bom chefe, etc. Quando Adão estava no jardim, ele era responsável pelo sustento. Toda ordem de trabalho foi dada a ele. Quando foi expulso do paraíso, também foi dado a ele o castigo de trabalhar todos os dias pelo sustento.
Sabemos que o desemprego vem, a crise vem, mas o homem não deve se acomodar se a esposa consegue manter a situação. O papel do homem no casamento é prover, dar segurança à sua esposa. Um marido acomodado não gera essa confiança, sobrecarrega a mulher e, com o tempo, o relacionamento começa a criar conflitos.
Muitos maridos querem forçar sua autoridade, como ditadores ou até mesmo como verdadeiros tiranos e empurram a responsabilidade para a esposa, ou filhos, quando os problemas aparecem. O papel do homem no casamento não é ser autoritário ou apontar os culpados, mas sim as soluções. Foi isso que Cristo fez. Ele não apontou as culpas de nossos pecados, Ele foi lá e resolveu, se entregando na cruz.
O homem deve assumir a responsabilidade do casamento no sentido, cuidar dos interesses da sua esposa e de servi-la e não de ser servido. Como vimos na carta do apóstolo Paulo aos Efésios, o homem é o cabeça do lar, como Cristo é o cabeça da igreja e o que Cristo fez pela igreja? Cristo veio para servir a Igreja e não ser servido. No sentido de cuidar e proteger. O homem também deve dar a sua vida pela sua esposa, assim como Cristo deu a sua vida pela sua Igreja.
Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela. (Efésios 5:25).
Com relação a liderança – O homem deve tratar sua esposa se espelhando SEMPRE no exemplo que a Bíblia nos traz de um marido correto e íntegro, amando e servindo a esposa, assim como Cristo serviu a igreja. Quando nos entregamos pela nossa esposa, ela passa a nos ver como líder e a consequência disso é o respeito e admiração, assim como a igreja respeita e admira seu líder Jesus Cristo. O exercício de autoridade pelo marido, deve ser motivado pelo amor, pela pureza e pela santificação.
PAPEL DA MULHER NO CASAMENTO
Com relação ao papel da mulher como ajudadora, trata-se de uma questão de submissão ou subordinação funcional, em termos de distinção de papéis, ou seja, sua função é servir como cooperadora do homem, esse é o motivo da sua existência, esse é o propósito para o qual ela foi criada no que diz respeito a condição de esposa.
Infelizmente na sociedade moderna de forma geral, dizer que a mulher deve ser submissa ao marido é como começar uma terceira guerra mundial. Os padrões modernos ensinam que as mulheres não devem ser submissas a ninguém. Mas será que isso é certo? Será que é essa vontade de Deus?
Com relação a submissão – Ainda existe muita resistência quando se fala que a mulher deve ter submissão ao marido porque normalmente associamos submissão com escravidão e humilhação. A mulher deve ser submissa ao marido quando ele age como Cristo, ou seja, quando ele demonstra todo seu amor pela esposa como Jesus amou a igreja. A mulher não precisa ser submissa ao marido, em algumas ocasiões, quando o marido não é submisso a Cristo, ou seja, quando a exploração que alguns homens impõem às suas mulheres não refletem o amor de Cristo. Se o marido “ordena” sua esposa a agir de forma que contraria os ensinamentos bíblicos, a mulher não está obrigada a submeter-se. Por exemplo: um marido que ordena que a sua esposa tenha relações íntimas com outro homem, ou que ordena que ela se embriague com bebida alcoólica assim como ele, ou outra coisa estúpida qualquer, ele(o marido) não está agindo conforme a vontade de Deus, por isso, em casos assim, a esposa cristã não deve ser submissa ao marido.
Vamos ver o texto e a interpretação de Efésios 5:25-26 – Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra (…). Notem que a submissão da mulher ao marido está ligada ao amor do marido pela esposa a fim de santificá-la, ou seja, guiá-la no caminho de Cristo. Não é submissão à humilhação e a exploração.
Posso dizer que a submissão da esposa ao marido se reflete na vontade de agradá-lo sempre que possível. Essa é a melhor maneira de demonstrar submissão ao marido, ajudando-o. Quando a mulher ajuda seu marido a ser um cristão melhor, ela está desempenhando seu papel. Orar pelo marido, por exemplo, é uma maneira de demonstrar sua submissão de uma forma bem amorosa. Ajudar nos afazeres domésticos e se dedicar a criação dos filhos conforme a Palavra de Deus são outros exemplos práticos de demonstrar amor e submissão ao marido. Porém, nada impede que o marido também divida os afazeres domésticos, deve haver sempre uma concordância de ambos dentro da casa.
Quando nós falamos neste termo submissão, também, nos vem a tona, mulheres que tiveram como modelos de pais, maridos ou até namorados passados, homens autoritários e covardes, esse tipo de mulher, vai ter claramente a objeção à ideia de ser submissa, pois o que lhe vem à memória é de abusos de homens. Muitas vezes, abuso físico e moral. No entanto, aquelas mulheres que tiveram um modelo de pai amoroso, que vive com um marido que a coloca sempre em primeiro lugar, não terá a menor dificuldade em ser submissa. Talvez ela viva de um modo que nem pensa sobre isso. Portanto, a mulher ser submissa não significa aceitar abusos, mas demonstrar seu amor através da submissão.
Evidentemente que ser submissa não é fácil, pois esta é a parte mais difícil, já que envolve confiança. Voltando à analogia entre igreja e Cristo, a igreja deve ser submissa à Cristo porque deve ter fé em seu Senhor. Assim como a mulher deve também confiar no seu marido.
Somente quando homens e mulheres aceitam seus papéis conforme a criação, eles encontram satisfação plena. Embora a queda tenha alterado o relacionamento conjugal, o ideal de Deus para o casamento na definição dos papéis continua sendo o mesmo e está registrado na Palavra de Deus.
CONCLUSÃO
Não podemos deixar de perceber que Deus vê o casamento como um relacionamento sagrado e altamente exaltado! Isso é a vontade de Deus desde o começo. Ele também desde o princípio deu à humanidade leis que garantiriam a felicidade enquanto Suas leis fossem obedecidas. Infelizmente, um ato de desobediência mudou tudo e o pecado entrou na boa criação de Deus. Se formos honestos, admitiremos ainda que é o pecado que destrói os relacionamentos, que perturba a harmonia do casamento e faz com que o amor se torne frio.
Precisamos entender que Deus não mudou de ideia sobre o casamento, apesar do pecado que veio ao mundo através do primeiro casal! Seu coração anseia que seja bem sucedido para nós, e Seu amor nos proveu com leis que, se as mantivermos, seremos felizes. Em Provérbios 18:22 lemos, “Aquele que encontra uma esposa, acha o bem.” Deus abençoou o relacionamento matrimonial desde o início (Gênesis 1:27-28), e Ele claramente pretendia que o casamento fosse de mútua confiança e fidelidade um ao outro. Como companheiros no modo de vida, marido e mulher devem trabalhar sempre juntos como uma equipe e aprender a amar cada dia um ao outro mais e mais, para que possam crescer juntos em tudo que é bom.
Pr. Dr. Gervásio Melquiades Gomes

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