Texto-chave: Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.
Reflexão Bíblica: Isaías 59:2
O Carnaval moderno feito com desfiles e fantasias é produto da sociedade vitoriana[1] do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa Carnavalesca para o mundo. Cidades como Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro, se inspiraram no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas Carnavalescas.
No período do renascimento as festas que aconteciam nos dias de Carnaval incorporavam o baile de máscaras, com suas ricas fantasias nos carros alegóricos. Ao caráter desta festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração (como a festa dos loucos – pessoas que cometiam loucuras, sabendo que podiam se esconder por trás de uma máscara – por exemplo) e progressivamente a festa foi tomando o formato atual. De acordo com o mundo contemporâneo o Carnaval ainda é considerada uma forma de festa bastante tradicional.
Tudo foi originado nos primórdios da humanidade, com as festas ritualísticas e orgiásticas de adoração a deuses e deusas pagãos como a festa para Baco[2], o deus do vinho. Esse tipo de festa que se difundiu pelo mundo, costuma sempre deturpar a verdadeira fé em Cristo Jesus. Gostaria de lembrar que as duas coisas negativas mais marcantes do Carnaval hoje, são: “A depravação moral e sexual” e a “Idolatria”.
Biblicamente falando, o Carnaval é a prática de todas as obras da carne, juntas. Aqueles que vivem pela carne e pelos seus prazeres e concupiscências, não estão agradando a Deus. Pelo contrário, estão ofendendo o caráter de Deus. Por isso está escrito na Palavra de Deus que “os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” Como diz o profeta Isaías 59:2 – Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. Ou seja, não adianta “rezar” porque Deus não ouvirá e não responderá (Isaías 59:2). Me lembro bem da canção de Fernando Mendes que diz assim: “de que adianta ir a igreja rezar e fazer tudo errado, você quer a frente das coisas olhando de lado…”. DE QUE ADIANTA MUITAS VEZES ORAR E PEDIR BENÇÃOS A DEUS OU FAZER PENITÊNCIA, SE NÃO CUMPRIR OS MANDAMENTOS E ORDENANÇAS DIVINAS? SERÁ QUE DEUS SÓ SERVE PARA NOS ATENDER? E NÓS O QUE ESTAMOS FAZENDO PARA AGRADÁ-LO? SERÁ DEUS NOSSO ESCRAVO?
Como já falei em artigos anteriores, cada pessoa faz suas escolhas, pois somos o produto delas, porém, como cristão e teólogo, gostaria de elencar alguns motivos pelos quais acredito que o carnaval não é uma festa aprovada por Deus:
1º) Somos uma sociedade que procura, a todo custo, fabricar motivos para alcançar novos lucros, então, faz-se necessário, questionar: quais são os verdadeiros e corretos elementos que de fato, são integrantes da história do que festejamos? É claro que, tal raciocínio poderá não agradar aos donos de bar, aos distribuidores de drogas e entorpecentes, entre outros que lucram com essa festa, mas poderá muito nos acrescentar em vida e saúde, educando-nos para um sóbrio exercício de nossa alegria.
2º) Na minha opinião, nosso carnaval deveria ser uma expressão de festividade e alegria. No entanto, as estatísticas revelam não só uma celebração, mas também números exorbitantes de acidentes e tragédias, na maioria das vezes, impulsionados pelo efeito do álcool e das drogas.
Mas a grande pergunta dessa reflexão é: ONDE ESTÁ A ALEGRIA DO CARNAVAL? SERÁ QUE EXISTE UMA CONEXÃO ENTRE A ALEGRIA E A DESTRUIÇÃO?
Acredito que nossas festividades precisam se tornar um palco no qual a vida apresente belíssimos espetáculos de arte e sensibilidade, e não, em histórias de sofrimentos e tragédias (muitas vezes orquestradas pelos excessos, seja de álcool ou pelo uso de drogas, ou por qualquer outra coisa), com isso, a única coisa que aumenta são as estatísticas de irresponsabilidade e destruição. Nosso povo precisa ser alegre sim, mas nada dominado por vícios e por um cenário de autodestruição; isto não combina com uma verdadeira alegria.
A grande mídia que fatura alto com o carnaval faz questão de esconder o que realmente acontece nesses dias de festa. O governo também tenta minimizar a questão com algumas políticas de saúde pública para diminuir o estrago (distribuição de camisinhas, por exemplo). Mas uma pesquisa rápida pela internet nos ajuda a verificar que o carnaval é uma das épocas onde existem mais estupros, mais acidentes por embriaguez ao volante, mais mortes nas estradas, mais assédios, mais gravidez indesejada, mais doenças sexualmente transmissíveis, mais abusos de todo tipo concentrados em poucos dias, etc. Tudo isso nos indica claramente que o carnaval hoje é a festa dos excessos, ou seja, é a festa onde Deus e Sua vontade são colocados de lado. Tudo isso, além de custar caríssimo aos cofres públicos, também custa caríssimo à vida das pessoas. COMO DEUS PODE ESTAR EM ALGO ASSIM? COMO DEUS PODE APROVAR TAL BUSCA POR ESTE TIPO DE ALEGRIA DESTRUIDORA, QUE A MEU VER, NEM DEVERIA SER CHAMADA DE ALEGRIA?
Houve momentos similares na Bíblia que Deus interviu, por exemplo: Na época do profeta Isaías, O Senhor, chamou a atenção de seu povo por algo parecido com o carnaval e que fazia parte da vida das pessoas: “Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta! Liras e harpas, tamboris e flautas e vinho há nos seus banquetes; porém não consideram os feitos do SENHOR, nem olham para as obras das suas mãos” (Isaías 5:11-12).
A Bíblia também nos mostra que Deus não é um Deus carrancudo e que não gosta de festas. Pelo contrário, nas leis do Antigo Testamento existiam diversas festas obrigatórias e, algumas, inclusive, que duravam até sete dias: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do SENHOR, que proclamareis, serão santas convocações; são estas as minhas festas” (Levítico 23:2). A grande diferença é que as festas de Deus têm foco na edificação do relacionamento de Deus com Seu povo. Elas não têm foco no pecado e no erro. As festas do Senhor são festas de alegria e gratidão focadas em Deus e não em coisas. Na festa do carnaval, Deus é ridicularizado e expulso pelas pessoas, não há espaço para Ele.
Por exemplo: No carnaval de 2019, na madrugada do domingo de 3 de Março, muitas pessoas assistiram pela TV uma aberração travestida de arte, protagonizada pelo enredo de uma Escola de samba paulistana de nome GAVIÕES DA FIEL, que entrava para a lista de assuntos mais comentados do Twitter por causa de seu desfile no Carnaval de São Paulo. Esta escola, mostrava um embate entre Jesus e Satanás, o seu autor afirmava que a ideia da representação de Jesus e do diabo era para chocar o público e provocar uma reflexão sobre a fé. Porém, o que ficou marcado na memória das pessoas, foram as cenas de Satanás humilhando e arrastando Jesus. As pessoas ficaram tão chocadas, que ainda hoje interpretam a situação atual da pandemia do coronavírus a este momento, quando afirmam que: este seria o momento em que o ano de 2020 começou a “dar errado”, ou “Quando você perguntar do porque o Brasil é um dos líderes em coronavirus (inclusive em mortes) lembre-se que de Deus não se zomba”. O QUE SERÁ QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O NOSSO PAÍS? PORQUE MUITAS PESSOAS ESTÃO MORRENDO? COMO VOCÊ ENXERGA ISSO? SERÁ QUE O CARNAVAL TEM ALGO HAVER COM A SITUAÇÃO QUE ESTAMOS PASSANDO HOJE?
Eu vejo que a grande maioria das pessoas que participam dessa festa, perdem o alvo eterno de vista, pois se concentram nas coisas terrenas, que são passageiras, se concentram também em atitudes que não edificam e que sabem que não agrada a Deus. Mais, quando o carnaval acaba e chega a 4ª feira “de cinzas”, muitas pessoas vão a igreja pedir perdão, através de uma atitude “arrependimento”. Porém, no ano que vem, fazem tudo de novo. SERÁ QUE ESSAS PESSOAS SE ARREPENDERAM? SE O CARNAVAL É UMA FESTA TÃO BOA, COMO MUITOS DIZEM, PORQUE A OBRIGATORIEDADE DE SE FAZER PENITÊNCIA(QUARESMA)? ESSA FORMA DE BUSCAR A DEUS NÃO SERIA UM ATO PURAMENTE MECÂNICO? AINDA ASSIM, SERÁ QUE DEUS PERDOA?
Analise comigo esse período pós carnaval, pois crer também é pensar. A quarta-feira de cinzas que envolve a penitência, como tentativa de “pagar” pelos pecados, chamada de QUARESMA, foi instituída pela igreja católica. Porém isso não é possível, porque ninguém consegue pagar o preço por seus pecados dessa forma (observando o ritual da Quaresma). Nossos ritos ou obras não nos justificam diante de Deus. Apenas o arrependimento sincero e a confissão dos nossos pecados, nos justificam diante de Deus (Mateus 10:32). Lembre-se: Jesus veio ao mundo e morreu na cruz, Ele pagou o preço total por todos os nossos pecados! Quando pecamos, devemos nos arrepender verdadeiramente (decidir mudar de vida) e pedir perdão a Deus. Assim, Deus nos perdoa e nos purifica de toda injustiça (1 João 1:9). Arrepender-se significa, deixar de fazer ou não fazer mais, ou seja, abandonar o pecado.
Fico com o conselho de Paulo, que em Romanos 12:1-2 diz: “rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Portanto, as pessoas que desejam ter uma vida qualificada espiritualmente não podem de forma alguma experimentar ambientes em que o enfoque é saciar os desejos carnais. Que o Senhor nos abençoe!
[1] A Era Vitoriana foi o período do reinado da Rainha Vitória, no Reino Unido, compreendido de junho de 1838 a janeiro de 1901, em meados do século XIX.
[2] Baco – deus romano do vinho, das festas, do prazer e da folia na mitologia romana, religião de Roma Antiga.
Pr. Dr. Gervásio Melquiades Gomes

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