Texto-chave: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim…”
Referência Bíblica: Galátas 2:20
As religiões tem se multiplicado com o passar dos anos. São milhares em todo o mundo. A cada dia aparece uma novidade religiosa despertando a atenção e o interesse de muita gente. A religião em vez de religar o homem com o único Deus Criador e Sustentador de todas as coisas, está na verdade, se tornando um imenso fator de confusão. Por esta razão, ao mesmo tempo em que envolve as pessoas em atividades religiosas, tem sido instrumento para afastá-las do Deus verdadeiro.
Vemos ainda que pessoas envolvidas numa religiosidade tóxica matam e morrem em nome de Deus. As religiões na sua maioria, têm sido um fator preponderante para gerar intolerância, ódio, conflitos, preconceitos e atos de pura insanidade. Infelizmente a história está repleta de fatos envolvendo o derramamento de sangue de milhares de pessoas que, por exemplo, ousaram discordar da autoridade papal, pessoas essas que no passado, foram queimadas vivas nas fogueiras, em outros casos, foram jogadas vivas as feras como espetáculo a ser assistido por milhares na arena, em Roma. Em nome de Deus, ainda hoje, em determinados países, pessoas são perseguidas, arruinadas, mutiladas e mortas.
Acredito que atualmente existe um espírito de religião que tem impedido a verdadeira comunhão do homem com Deus. Acredito ainda que a “religião” tem sido utilizada como massa de manobra para manipulação de multidões sedentas de Deus, motivadas por outros interesses, principalmente, o interesse financeiro. O próprio Jesus prenunciou esse espírito no seu sermão profético, em Mateus 24.
Infelizmente muitas igrejas tem se transformado em palco de entretenimento para divertir e ajuntar multidões, e isto é o que a mídia denomina como espetáculo da fé ou show da fé. Este tipo de religiosidade tem afetado os valores, relacionamentos, sentimentos, livre arbítrio e principalmente os estilos de vida.
Em outros casos a “religião” também tem produzido milhares de incrédulos e super incrédulos, ou seja, o incrédulo fica mais incrédulo por causa das experiências frustrantes com a teologia da prosperidade. Esses são as vítimas das profecias que não se cumprem, de promessas levianas de vida fácil e tranquila que nunca se consumam, de mensagens que enfatizam o sucesso e não a santidade.
A maioria das religiões orienta as pessoas a buscarem a aceitação de Deus através de sacrifícios, boas obras e méritos pessoais. Esse tipo de religiosidade tem deixado as pessoas exaustas e frustradas no sentido de receber a aprovação de Deus. Muitas dessas religiões se transformam num grande mercado de magias como respostas às agonias e ao sofrimento humano. Outras fazem barganhas e oferecem bênçãos de Deus em troca dos mais variados preços ou sacrifícios.
QUE MUNDO É ESTE QUE ESTAMOS VIVENDO? De um lado está o radicalismo que mata e do outro está a encenação que aliena. E assim o ser humano, por sua vez, vai se tornando cada vez mais cético, cada vez mais indiferente e avesso a tudo que se apresenta como sagrado, no entanto, cada vez mais, o ser humano se distancia de Deus.
No sentido contrário ao versículo bíblico que diz em Gênesis 1:26 – “… Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…”, vemos o ser humano caído “criando um deus a sua imagem e semelhança”. O ser humano caído e enganado, tem criado deuses consoante o seu estado e condição. As religiões, em sua expressiva maioria, têm sido manifestações do ser humano por ter perdido o relacionamento com Deus.
Nos tempos em que o verbo(Jesus) se fez carne e habitou entre nós, cabe ressaltar que esse verbo(Jesus) nunca investiu contra as prostitutas, contra os ladrões, contra os bêbados ou contra os cobradores de impostos (que na época constituíam o crime organizado em Israel). Na verdade, Ele transformou aquelas pessoas em seus amigos e, por esta razão, Ele foi chamado amigo dos pecadores.
Vale salientar que, a maior oposição enfrentada por Jesus não veio dos pecadores flagrados em atos horríveis, não veio dos párias ou dos considerados impuros da sociedade, mas, a maior oposição enfrentada por Jesus partiu dos líderes religiosos do seu tempo, porque Ele confrontou duramente os paradigmas e os ensinos das religiões dos seus dias.
Israel pensava que era o povo de Deus por herança, mas esqueceu que somente seria povo de Deus se realmente amasse e obedecesse à sua Palavra (João 8:43). Qualquer igreja que se encha de religiosos que não reconheçam que Jesus é o Senhor e cujos membros não se tornem seus discípulos, cometerá os mesmos erros dos religiosos nos dias de Jesus, ou seja, qualquer cristianismo que não envolva nas pessoas, compromisso e novo estilo de vida, não passa de mera adesão religiosa. Se a Palavra de Deus, não há transforma o pecador através da conversão, não existe religião.
No passado, a Palavra foi entregue como lei. Os 10 mandamentos foram escritos em pedra para simbolizar sua natureza dura e rígida. A Lei foi nos dada para revelar a dureza de nossos corações e diagnosticar as nossas transgressões, porém, o propósito maior de Deus era que, um dia, a sua Palavra se tornasse carne. Então, chegou o dia em que a palavra se tornou carne através de Jesus e habitou entre nós. “O verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Quando somos transformados pelo poder do Evangelho, Jesus é encarnado em nossas vidas. Ele faz com que a sua Palavra se torne carne através de nós. A Palavra é feita carne quando deixa de ser somente conceito, princípio e mandamento e passa a fazer parte de nossa natureza. Assim projetamos a Palavra de Deus em nossos gestos, ações, decisões e atitudes. Isto só acontece quando Ele exerce seu governo em nossas vidas.
Quando o Apóstolo Paulo falou em Galátas 2:20 – “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim…” – aqui nós vemos um homem que após ser tocado por Cristo, caminhava em uma mudança de vida. Foi preciso uma oportunidade para ele reconhecer que Jesus Cristo era o Senhor da sua vida. E VOCÊ? QUANTAS OPORTUNIDADES VOCÊ JÁ TEVE? QUANTAS VEZES JÁ VOCÊ OUVIU A PALAVRA DE DEUS? SE VOCÊ MUDOU, SE CONVERTEU, FOI TRANSFORMADO, ENTÃO VOCÊ ENTENDEU QUE JÁ NÃO É MAIS VOCÊ, MAS SIM CRISTO HABITANDO EM SEU CORPO E CORAÇÃO. Quando o Apóstolo expressa essa frase em Gálatas 2:20, ele quis afirmar que Cristo vive em nós quando Ele é o centro de nossa vida e não nós mesmos. Se é Ele quem importa, é Ele que tem que ocupar o primeiro lugar. Isto significa que Jesus vive naquele que obedece às suas palavras. A comunhão com Jesus começa com o conhecimento da sua palavra, com o ouvir da sua palavra e com a obediência a sua palavra. “Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor“. (Romanos 14.8)
Quando um cristão vive uma verdadeira experiência com Cristo, uma real conversão, nada pode pará-lo, pois o Espírito Santo é a fonte da mudança, e é por meio d’Ele que conseguimos essa mudança em nossa caminhada. Você não muda de vida pela Igreja, você não muda de vida pela religião, você muda porque se abre a uma experiência com o Espírito de Deus. Quem vive a experiência do Pentecostes não consegue ser mais o mesmo, ele é transformado.
Mudar de vida não significa ter uma vida tranquila, sem problemas nem tribulações. Mudar de vida é assumir a cruz de Cristo na terra, sabendo que um bem maior o espera.
Conforme o britânico Mathew Chapman, lamentavelmente, para ele a religião separa as pessoas mais do que as une. Por exemplo: se você olhar para os judeus e para os árabes, eles comem a mesma comida, eles vivem na mesma terra, eles dividem em grande parte os mesmos mares, eles são mães e pais, têm filhos, ou seja, têm muitas coisas em comum. A única coisa a dividi-los é disputa por território e religião.
Infelizmente estamos vivendo em um mundo virado de cabeça para baixo. Regras mortas e frias tomam o lugar do amor, do perdão e da vida. A religião institucionalizada muitas vezes se torna instrumento de injustiça. O texto bíblico do Evangelho de João 8:2-11, que narra a pretensão dos judeus em querer apedrejar a mulher adúltera revela o amor, o perdão e a graça de Deus, desmascarando uma religiosidade que julga impiedosamente, sem autoridade e sem espaço para o perdão e uma nova oportunidade. Observe que a Lei em Deuteronômio 22:22-24, prescrevia a execução sumária de ambos (a mulher e o homem), para quem é flagrado em adultério, porém, naquele momento Jesus apresentou algo maior do que a Lei, Jesus apresentou a vontade de Deus, o amor, o perdão e a graça de Deus, sem invalidar a Lei. A frieza da Lei naquele momento da lugar a graça de Deus. Jesus sabia que aqueles que a julgaram, e que queriam puni-la, não tinham vida para isso, ou seja, eram tão ruins ou piores que ela, porque essas autoridades religiosas eram no mínimo cúmplices do homem adúltero, pois não o trouxeram junto com ela. Dessa forma Jesus traz a tona toda a insensatez dos religiosos com a seguinte afirmativa, que pressupõe auto-análise e reflexão: Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra (Jão 8:7). O Texto diz que saíram todos, um após outro, envergonhados e com a consciência pesada.
A religião muitas vezes rotula o bem e o mal, sem compreender a aplicação da graça de Deus em face da pecaminosidade. A graça de Deus, antes de julgar e punir, oferece ao transgressor a oportunidade de redenção e perdão. A religiosidade excessiva e não saudável, marginaliza, exclui e estigmatiza os que tropeçam, porque não compreendem a graça de Deus. Assim sendo, multiplica-se pelo mundo o número de pessoas amarguradas e feridas pelos religiosos.
Assim era no passado a elite religiosa dos fariseus. A relação de Jesus com esse grupo, era pautada pela letra fria da lei, e a relação desse grupo com as pessoas, era vazia de misericórdia. Eles foram os radicais extremistas daquela época. Jesus os chamou de hipócritas (atores da religiosidade) e sepulcros caiados (com uma beleza externa, mas, apodrecidos por dentro).
Não existe nada mais devastador, quanto as crenças e as práticas religiosas que desfiguram a pessoa de Cristo e a Palavra de Deus. Precisamos retornar a simplicidade do Evangelho do Reino que Jesus ensinou, pois esse evangelho é o verdadeiro antídoto que nos imuniza contra toda a religiosidade mascarada e hipócrita. A aplicação correta do evangelho nos ajuda a conhecer a verdade que liberta dos preconceitos e das tradições religiosas que invalidam a Palavra de Deus. Não adianta apenas crer em Deus e viver independente de seus ensinamentos. Hoje em dia, infelizmente, há muita religiosidade e pouco de Cristo nas pessoas, por esse motivo, mais do que nunca, somos desafiados a olhar para a realidade e orar por mudança, pedindo a Deus que nos ajude a termos uma vida cristã autêntica, saudável e coerente. Que o Senhor nos abençoe!
Pr. Dr. Gervásio Melquiades Gomes

0 Comentários