Texto-Chave: Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto”.
Referência Bíblica: Êxodo 20:2-6a
O tema da idolatria na teologia bíblica é muito abrangente; está presente no Judaísmo e no Cristianismo. Na tradição cristã, o ídolo ou culto dos ídolos encontra-se no sentido oposto ao culto do verdadeiro Deus proclamado pelas escrituras. Por conseguinte, é necessário estabelecer fundamentos claros para poder interpretar os textos bíblicos, muitas vezes restritivos e violentos, mediante uma análise respeitosa das diversidades espirituais que fazem parte da vida do ser humano. A idolatria está diretamente ligada ao significado de denúncia, repulsa, intolerância, discriminação e condenação dos cultos que utilizam imagens, o que permite uma interpretação ampla.
Durante os 40 anos de peregrinação no deserto rumo à Terra Prometida, os judeus (na época hebreus) receberam de Deus inúmeras leis, normas e obrigações. Deus estabeleceu desde as leis supremas – o Decálogo (10 mandamentos) – até detalhes do culto e regras de convívio, como a proibição de colocar um tropeço diante do cego, ou extorquir o estrangeiro.
Dentre estes preceitos, encontra-se uma proibição formal: “Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra” (livro de Êxodo 20:5). Por que, então algumas religiões cristãs usam imagens? Isso não é desobediência a Deus? Para entendermos melhor este assunto, vejamos inicialmente a diferença etimológica de veneração e adoração.
Adoração é um ato de culto que se presta somente a Deus. Diante desta definição, não podemos adorar nem mesmo nossos pais a quem tanto amamos.
Veneração, segundo o dicionário Houaiss, é: “dedicar reverente respeito e deferência a”, “ter grande consideração por”, ou seja, demonstrar grande admiração por algo ou alguém, é também ter grande afeição. É somente neste sentido, por exemplo, que eu posso venerar os meus pais, como também devo consideração e deferência por alguma autoridade civil ou religiosa. É por isso que temos conosco fotografias das pessoas que amamos.
A Primeira pergunta que nos intriga é: QUEM PODE SER VENERADO(A)? Pessoas que durante a sua vida deram mostras de grandes virtudes e boa conduta moral, são dignos de respeito e veneração. Esses podem ser venerados, porém, nunca poderão ser adorados.
A Segunda pergunta que nos intriga é: POR QUE DEUS PROIBIU O USO DE IMAGENS? Quando alguém argumenta com relação a proibição de imagens, é interessante que a pessoa conheça bem o contexto bíblico no qual é relatado a proibição. Releia com integridade o texto da nossa meditação, o qual se encontra no livro de Êxodo 20:2-6a para um melhor entendimento.
A IDOLATRIA E O CULTO AS IMAGENS – A adoração de imagens no período politeísta representando suas divindades fazia parte da religiosidade, da cultura e da tradição, especialmente no Egito, Síria e Mesopotâmia. As divindades se faziam presentes no cotidiano das pessoas e eram invocadas para favorecer uma colheita, aumentar o rebanho, proteger a família e garantir a justiça. A proibição do culto às divindades e a produção das imagens que as representassem teve origem para o povo de Israel na revelação de Deus a Moisés no monte Sinai.
A proibição do uso de imagens nos atos de culto, ocorre em função do ídolo (imagem) não ser deus e ter sido produzido por mão humana. A idolatria é um processo no qual se concebe a uma imagem uma função divina que não possui.
Diante de tudo o que foi exposto até o presente momento, talvez algumas pessoas possam argumentar, com certa segurança, que: pelo fato de muitas igrejas em seus templos não terem imagens; de muitas pessoas não se curvarem diante de estátuas; ou ainda de muitos não acenderem velas para nenhum ídolo, seja ele de barro ou de metal, que essas igrejas ou pessoas não são idólatras.
Se pensarmos assim, acredito que nossa segurança está alicerçada em uma leitura muito superficial da Escrituras Sagradas. Porque um exame cuidadoso da Palavra de Deus é suficiente para revelar que: o ídolo(objeto de adoração) antes de ser um artefato das nossas mãos, é um artefato do coração, ou seja, não são apenas as nossas mãos que fabricam ídolos; nosso coração principalmente.
Quando compreendemos que o coração é uma fábrica de ídolos, damos um grande passo na direção do entendimento bíblico sobre idolatria. Costumo dizer que é muito fácil destruir um ídolo de barro ou de metal feito pelo ser humano, basta pegar uma marreta, no entanto, como destruir um ídolo feito com o material do coração.
A luz da teologia cristã, o ser humano foi feito para adorar. No projeto original da criação, o homem deveria adorar somente a Deus, o criador de todas as coisas, mas com a queda do ser humano, o pecado obscureceu a razão. Particularmente, eu enxergo que a idolatria não está apenas na imagem idolatrada ou no ídolo em si, mas reside dentro do próprio idólatra.
Conforme a narrativa bíblica, o ser humano foi criado imagem e semelhança de Deus para refletir, representar e reproduzir essa imagem e quando isso não acontece ele não consegue reproduzir, não consegue representar e reflete outra coisa. Reflete, sobretudo, aquilo com o qual está comprometido, seja com o Deus criador ou com qualquer outro objeto da criação. Assim, quando não adora o Deus verdadeiro em vez de assemelhar-se com Ele, o idólatra assemelha-se com o ídolo que adora. O fato do ser humano tentar representar Deus por alguma imagem divina o desvia da verdadeira natureza espiritual, ou seja, faz com que ele crie um deus a sua imagem e semelhança.
Desta forma, podemos entender que a idolatria pode ser qualquer realidade divinizada pelo homem; ela se constitui ao substituir o divino por algo que se possa manipular e usar. No Israel antigo, a idolatria se manifestava por meio do culto a Baal e a outros deuses. Entretanto a manifestação externa da idolatria não era o problema maior, mas apenas a ponta de um iceberg. Na verdade, o grande problema da idolatria estava muito bem escondido no coração daquele povo.
Hoje talvez os três impulsos mais fortes da humanidade, sejam motivados por dinheiro (desejo de possuir), pelo poder (o desejo de exercer domínio) e pelo sexo (o desejo de intimidade). Quando alguém olha para algo e acha que é muito desejável, isso gera a cobiça, e então, surge a idolatria, a qual dá a luz ao pecado; e o pecado por sua vez gera a morte.
Outro entendimento que temos a respeito desse assunto, é que, apesar da imagem de escultura ser a principal representação das práticas idólatras, qualquer coisa pode se tornar um ídolo para o ser humano, como por exemplo, um estilo de vida, um emprego, um carro, uma marca comercial, o dinheiro, filosofias humanas (como o naturalismo, o humanismo e o racionalismo), práticas ocultas e espiritualistas, etc.
O apóstolo Paulo escreveu dizendo que o ídolo “nada é no mundo”, mas que por traz da adoração ao ídolo existe uma adoração demoníaca (1º Coríntios 8:4; 10:19-20). Hoje estamos vivendo em um mundo profundamente idolátrico em todos os aspectos (econômico, social, político, cultural, ideológico e religioso).
Nós que constituímos a igreja hoje não podemos esquecer de que o diabo começou sua provocação no jardim do Éden e é ele que, de forma direta e objetiva, está por trás da idolatria do ser humano. É ele que busca minar a confiança da pessoa em Deus. Como “Pai da mentira e gerador de discórdia”, ele sempre estimula as pessoas a se apegarem a mentira e menosprezarem a verdade, no sentido de levar a criação a desobediência, ao pecado e a morte.
Hoje a capacitação nos dada pelo Espírito Santo, nos torna aptos para entender e obedecer a tudo que Deus nos ordena em sua Palavra: E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis. (livro de Ezequiel 36:26-27) – Essa passagem Bíblica se trata de uma promessa que o Senhor fez para nós hoje, basta abrir o coração da forma que estiver e muito mais Ele realizará em seu favor.
Pr. Dr. Gervásio Melquiades Gomes

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